Cenas da vida

 

  Quem não gosta de relaxar numa noite chuvosa diante da TV com uma enorme tigela de pipoca nos braços para assistir a um bom filme? Que seja um bem adocicado para aqueles que se deliciam nas belas cenas românticas do cinema, um exemplar hilariante para os que gostam de se entregar às gargalhadas, ou um ótimo suspense para os que adoram sentir aquele friozinho na espinha ao ouvir aquela música fatal! A verdade é que o cinema, seja numa tela grande ou pequena, constitui uma das mais incríveis invenções humanas.

      Mas por que tanto fascínio? Será pela simples possibilidade de reproduzir na tela, imagens de pessoas e coisas reais, ainda que em situações fictícias? Atrevo-me a afirmar que gostamos todos do cinema porque ele não apenas reproduz as nossas vidas, mas também, muitas vezes, representa  os nossos sonhos.

      Como é gostoso ver na tela a casa magnífica que queríamos e nos imaginar no lugar da protagonista do fime a mergulhar em sua enorme piscina azul! Como é esperançoso ver a estória do homem que começa vendendo cachorros-quentes e se torna um importante milionário; ou a vida da mulher que tanto sofre em sua solidão mas encontra um final feliz ao lado do homem perfeito! No fim de tudo somos a criança que assiste com os olhinhos sedentos à vida de super herói que quer ter pra si.

      Fato bastante intrigante é que os sonhos mudam, os medos e conflitos mudam e, com eles, o cinema também muda o seu enredo. As famílias mudaram, os relacionamentos mudaram, as crianças mudaram, o planeta mudou! As crianças tem outros desejos, bem diferentes dos de serem meros super heróis de mentira… E o cinema ganha outro enredo, mais arriscado e sem tantos princípios…

      De repente, olhamos pra tela e não vemos mais o que queremos ser, e sim, o que antes achávamos que precisávamos ter. Vemos na tela o retrato de uma sociedade que desejou “tanto” que não sabe mais o que quer. Olhamos para os personagens de um filme qualquer e demoramos em nos reconhecer dentro das estórias que criamos mas vemos pela primeira vez.

      Talvez, fosse de bastante utilidade rever as cenas, analisar com calma o escrípite que ainda não foi gravado, e pensar se esse é o final que queremos, se este enredo nos leva mesmo a um final feliz. Refletir se essa nova concepção de família produz os mesmos frutos que a de antigamente; se a banalidade sexual é capaz de trazer satisfação ao homem insaciável; se a violência é o melhor instrumento para conseguir o que se quer e se o consumo predatório dos bens naturais trará algum progresso.

      Sei que muitos ao lerem esse texto, pensarão em mim como uma pessoa meramente conservadora, contudo, minha intenção não é a de conservar tradições, mas a de buscar um bem estar que pode sim se encontrar perdido no passado. Por que não? Por que tanto preconceito com o passado? Será o homem incapaz de olhar para trás e consertar os seus erros? Se assim for, lamento por concluir que a raça humana se encontra muito mais atrasada do que pensávamos…

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